Crónicas e Reviews

A designação “afrodisíacos” encontra-se associada à deusa grega Afrodite – a deusa do amor, da fertilidade e da beleza – sendo utilizados pelo Homem desde os tempos milenares, com o objetivo de melhorar a performance sexual. De facto, o afrodisíaco refere-se a qualquer substância na qual são atribuídos estimulantes sexuais, simbolizando, igualmente, a fertilidade.

Consequentemente, durante séculos o Homem procurava, na natureza, substâncias estimulantes como frutas, plantas, alimentos, sendo que essa procura mantém-se nos dias de hoje. De facto, o “pau de cabinda” é um exemplo de um afrodisíaco utilizado nos tempos contemporâneos, por existir a crença de que tem propriedades estimulantes e revigorantes para a saúde sexual do indivíduo. Outros exemplos são o chocolate, devido à sua propriedade energética, assim como o guaraná e o amendoim.

Contudo, não é só através dos alimentos ou de bebidas que podemos ser sexualmente estimulados. A atração humana começa pela visão e pelo olfato que são extremamente importantes, na medida em que poderão despertar ou aumentar o desejo sexual.

Os afrodisíacos são substâncias ou alimentos que têm a capacidade de estimular, de promover o funcionamento sexual, de despertar ou aumentar o desejo sexual e, consequentemente, de melhorar a relação sexual e/ou amorosa. Contudo, o que poderá ser considerado como um estimulante sexual para uma pessoa, poderá não o ser para outra.

Também existem substâncias anafrodisíacas, ou seja, substâncias que têm a capacidade de diminuir o desejo sexual. Entre elas encontra-se a cânfora e os coentros.

Segue-se uma lista de alguns alimentos, com propriedades afrodisíacas, e que todas nós podemos ter no armário da cozinha. Uns associam-se à fertilidade, outros apresentam formas similares aos genitais do homem e da mulher; e outros porque acredita-se que são sexualmente estimulantes.

Boas Receitas Afrodisíacas!

  • Frutas: Amêndoa, Banana, Coco, Tâmara, Pêssego, Morango, Framboesa, Romã, Figo, Maçã, Marmelo, Pera, Uva.
  • Frutos Secos: Amendoim, Pinhões.
  • VEGETAIS: Alho, Arroz, Agrião, Cebola, Cogumelos, Milho, Nabo, Pimentão-doce, Pimentão picante, Trigo, Trufa.
  • CONDIMENTOS: Açafrão, Alecrim, Baunilha, Canela, Cravo-da-Índia, Gengibre, Noz-moscada, Pimenta.
  • CARNES: Testículos, Fígado e Rim, Tartaruga, Caracol.
  • FRUTOS DO MAR: Ameijoa, Mexilhão, Vieira, Lula, Polvo, Camarão, Lagostim, Caranguejo, Lagosta e outros crustáceos, Ouriços-do-mar, Ostras.
  • BEBIDAS: Café, Chá, Chocolate, Mel, Absinto, Anis, Champanhe, Grand Marnier, Xerez, Vinho do Porto, Parfait Amour, Vodka.

Dra. Sofia Melo Refoios

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O pompoarismo, ou a técnica de pompoar, é uma técnica milenar que nasceu na Índia. Inicialmente, esta prática era utilizada por sacerdotisas para os rituais de fertilidade, tendo-se expandido e tornado popular.

O pompoar é uma técnica simples e consiste no controlo dos músculos circunvaginais (músculo pubococcígeo), através da sua contração e relaxamento, existindo três exercícios da prática do pompoarismo: as contrações, as bolinhas Bem-Wa, ou “bolas tailandesas”, e o vibrador.

Nas décadas de 40 e 50 do século XX, Arnold Kegel desenvolveu alguns exercícios, semelhantes ao pompoarismo – os Exercícios de Kegel – para fortalecer os músculos pubococcígeos e evitar a incontinência urinária. Kegel verificou que as mulheres que praticavam estes exercícios relatavam um aumento das sensações vaginais, sendo que atualmente são utilizados em sexologia clínica como uma técnica para o tratamento de disfunções sexuais.

De facto, para além de poder ser praticado a qualquer hora, a continuidade da prática de pompoarismo é importante por variadas razões:

  1. O pompoar poderá ajudar a mulher a sentir e a proporcionar mais prazer sexual, facilitando a excitação sexual e o orgasmo
  2. Poderá evitar a incontinência urinária
  3. Poderá evitar a queda da bexiga e do útero
  4. Poderá diminuir as dores menstruais
  5. Poderá facilitar o parto natural

 

Dra. Sofia Melo Refoios

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Todo o ser humano sonha ou fantasia grande parte do seu tempo, podendo fantasiar acerca de quase tudo. Por ser um fenómeno quase universal, sendo a forma mais comum da experiência sexual humana[1], e devido ao papel que desempenha na vivência da sexualidade do sujeito, as fantasias sexuais têm sido objeto de estudo de diversas investigações científicas.  

Referem-se a imagens mentais sexualmente excitantes ou eróticas para a pessoa que as imagina[2]. São definidas como qualquer sonhar acordado que inclua o erotismo, variando de imagens transitórias/fugazes a imagens elaboradas, podendo incluir a reconstrução de experiências sexuais anteriores ou a criação de experiências imaginárias[3], onde as mais comuns são aquelas que se associam à sexualidade e ao romance [4].

A fantasia sexual pode surgir no contexto sexual ou quando o sujeito encontra-se, por exemplo, a trabalhar. As pessoas poderão utilizar as fantasias com objetivos diferentes: (i) como uma motivação sexual, ou seja, a fantasia sexual poderá ser utilizada durante a masturbação ou a relação sexual, na medida em que poderá facilitar a excitação sexual e o orgasmo, ou poderá ser partilhada com o/a parceiro/a, podendo promover que a mesma seja colocada em prática e permitindo “apimentar” a relação do casal; (ii) de forma a explorar pensamentos e atividades sexuais diferentes; (iii) para aliviar o stress; (iv) como tendo uma função antidepressiva; (v) para ajudar a pessoa a adormecer. 

As fantasias sexuais desempenham um papel essencial na vida sexual do indivíduo, podendo ser responsáveis pela vivência de uma sexualidade saudável e satisfatória. Contudo, a falta de fantasias ou a culpa em torno de determinadas fantasias poderá ser responsável pelo aparecimento e/ou manutenção de uma disfunção sexual. Da mesma forma, poderão providenciar informação importante nos crimes sexuais.

No que se refere às diferenças de género, as mulheres tendem a ver-se como objetos de desejo sexual, enquanto os homens têm maior probabilidade a percecionar o outro como o objeto de desejo sexual. De uma forma geral, as fantasias sexuais dos homens tendem a ser mais frequentes, especificamente sexuais, visuais, promíscuas e ativas, enquanto as fantasias sexuais das mulheres são mais contextuais, emotivas, íntimas e passivas.

Dra. Sofia Melo Refoios

 

1 – Ellis, M.A. & Symons, D. (1990). Sex Differences in sexual fantasy: an

evolutionary psychological approach. Journal of Sex Research, 4, 527-555.

2, 4 – Leitenberg, H. & Henning, K. (1995). Sexual fantasy. Psychological

Bulletin, 117, 469-496.

3 – Rokach, A. (1986). Content analysis of sexual fantasies of males and

females. Journal of Psychology, 4, 427-436.

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Poliamor

O poliamor é uma nova modalidade de relação amorosa e significa a prática e o desejo de ter mais de uma relação íntima ao mesmo tempo, com o conhecimento e consentimento de todas as partes envolvidas. É uma prática moderna não-monogâmica, ética e consensual que defende ser possível e aceitável amar várias pessoas ao mesmo tempo e manter múltiplos relacionamentos íntimos[1], desde que não sejam sexualmente exclusivas, ou seja, desde que não tenha como fins somente e unicamente a relação sexual[2,3]. De facto, ter muitas relações sexuais não é o objectivo dos praticantes do poliamor, sendo que, possivelmente, a maioria deles tem menos parceiros sexuais que pessoas que afirmam ser monogâmicas[4].

Habitualmente, este tipo de relacionamento é idealmente construído sobre valores de lealdade, honestidade, confiança, negociação de limites, capacidade em superar o ciúme e a possessividade, comunicação, auto-responsabilidade, emoção e intimidade[5]. Geralmente os praticantes do poliamor são confundidos com as pessoas interessadas em sexo casual, no swing e nas relações abertas.

Swing

O swing, ou troca de casais, é um comportamento não-monogâmico em que ambos os parceiros, envolvidos num relacionamento amoroso, aceitam, como casal, envolver-se em actividades sexuais com outro(s) casal(ais). As razões que levam os parceiros a participar nas actividades sexuais não são necessariamente as mesmas: uns poderão envolver-se nestas actividades por curiosidade; outros poderão fazê-lo para satisfazer o seu desejo sexual ou as suas fantasias; há quem possa envolver-se nestas actividades porque consideram-nas como interacções sociais; outros poderão participar nestas actividades com o objectivo de satisfazer os desejos, as necessidades e/ou as fantasias do(a) seu(sua) parceiro(a), sendo que esta última poderá conduzir ao surgimento de mal-estar e problemas no casal ou, pelo menos, no membro do casal que vai cedendo com o objectivo de agradar o outro.

Como regra geral, os casais praticantes de swing envolvem-se em actividades sexuais convencionais com outros parceiros, sendo que estas actividades poderão variar desde práticas com penetração, definidas como troca completa (full swap), a práticas sem penetração (e.g. masturbação, sexo oral), referidas como trocas suaves (soft swap).

A diferença entre o poliamor e o swing é de que no swing, habitualmente, as pessoas não se apaixonam por outras, enquanto no poliamor existe a partilha de sentimentos amorosos por várias pessoas que se respeitam e amam-se mutuamente.

Relação Aberta

A definição de relação abertapressupõe a existência de um casal em que os participantes são livres para terem outros parceiros sexuais. Tal como o swing, a relação aberta diferencia-se do poliamor, na medida em que na relação aberta não existe exclusividade sexual, sendo que no poliamor esta não exclusividade refere-se à partilha de afectos e não à sexualidade.

Dra. Sofia Melo Refoios

 

1, 2 – Barker, M. (2005). This is my partner, and this is my partner’s partner: constructing a polyamorous identity in a monogamous world. Journal of Constructivist Psychology, 18,75-88.

3, 4, 5 – Klesse, C. (2006). Poliamory and its ‘others’: contesting the terms of non-monogamy. Sexualities, 9(5), 565-583.

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No mês passado iniciamos a discussão em termos do tema “Mitos Sexuais”. Se perdeu a primeira parte, atualize-se aqui, para depois poder dar continuidade com esta segunda parte.

1. No sexo o que conta é o desempenho.

FALSO: Quando se inicia uma relação sexual, a concentração deve ser dirigida ao processo em si, às sensações, ao envolvimento emocional e sexual, do que propriamente aos objetivos, na medida em que colocar o foco no resultado final poderá ser a causa de um problema sexual devido, por exemplo, à ansiedade de desempenho.

2. Qualquer contacto físico deve conduzir ao sexo.

FALSO: Toda a sensualidade e intimidade física (e.g. carinhos, beijos, massagem, dançar, tomar banho em conjunto, abraçar, entre outros, sem envolver contacto com genitais) são tão importantes e respeitáveis como a sexualidade focalizada na genitália, sendo uma parte adequada da relação de qualquer casal.

3. Os homens podem expressar os seus sentimentos e emoções.

VERDADEIRO: Os homens podem, como devem, ou seja, não só têm esse direito como são capazes de expressar os seus sentimentos e emoções de forma natural. A expressão “um homem não chora” deverá ser superada, para que os homens consigam desenvolver esta capacidade, uma vez que são estas mensagens que impedem o indivíduo de demonstrar o que sente e pensa. Não se esqueça que, como as mulheres, eles têm a capacidade de ser afetuosos e sensíveis.

4. A masturbação é causa de doenças graves.

FALSO: Durante anos a masturbação foi utilizada como “bode expiatório” para um conjunto de doenças, como a infertilidade, disfunção erétil, loucura, acne, entre outros. Porém, não existe nenhuma base clínica e científica que sustente esta crença: não existe qualquer relação entre estas doenças e a atividade de masturbação. De facto, a masturbação é um comportamento sexual comum importante para a saúde sexual.

5. As mulheres têm menos desejo sexual que os homens.

FALSO: Varia de indivíduo para indivíduo. Existem mulheres com maior desejo sexual quando comparadas com os homens e vice-versa. O problema é que durante anos, e atualmente em algumas culturas, as mulheres foram reprimidas a expressar o seu desejo sexual, assim como o seu prazer.

6. O desejo sexual diminui com a idade.

FALSO: Podem existir variações, mas, se não houver nenhum problema de cariz sexual, habitualmente, o desejo sexual acompanha o indivíduo até à sua morte.

7. As mulheres não gostam de pornografia.

FALSO: Este mito encontra-se associado à repressão sexual. De facto, a imagem de que as mulheres só gostam de contextos românticos é falsa, como o é a imagem do homem que está sempre pronto para ter relações e que pensa em sexo de 7 em 7 segundos.

8. Se a mulher não sangra na primeira relação sexual, é sinónimo de que não é virgem.

FALSO: O sangramento na primeira relação sexual não é um sinal de virgindade. Se a mulher for suficientemente estimulada e se houver lubrificação vaginal no momento prévio à penetração, não existe motivo para haver qualquer tipo de sangramento ou de dor.

9. A infidelidade é sinónimo de que o/a parceiro/a não me ama.

FALSO: Não significa necessariamente que não o/a ame. Contudo, a infidelidade associa-se à falta de respeito para consigo e para com a vossa relação.

10.  Existe uma idade para o indivíduo iniciar a sua vida sexual, ou seja, para tornar-se sexualmente ativo.

FALSO: O início da atividade sexual não depende da idade, apesar da “idade de consentimento informado” ser, no nosso país (Portugal), de 16 anos. O indivíduo deve tornar-se sexualmente ativo quando se sentir preparado para tal. Não se deve iniciar a vida sexual só para se agradar ao/à parceiro/a ou para ceder à pressão dos amigos, o que é frequente na adolescência. Até porque, em termos psicológicos, a atividade sexual é o símbolo máximo de independência e maturidade.

11. Na primeira relação sexual não existe risco da mulher engravidar.

FALSO: é um dos mitos mais comuns e prejudiciais levando o sujeito a cometer erros. Se a mulher estiver no período fértil durante a relação sexual, a gravidez pode acontecer independentemente de ser a primeira ou a 24ª relação e, independentemente, da posição sexual.

Dra. Sofia Refoios

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Atualmente, a sexualidade apresenta-se como uma das temáticas mais intrigantes e enigmáticas, apesar de toda a sua complexidade. Contudo, existem muitas ideias erróneas associadas a este assunto, que são, muitas vezes, causa de infelicidade e sofrimento na vida sexual, assim como a causa do aparecimento ou manutenção de problemas sexuais e/ou relacionais. Consequentemente é essencial compreendermos e “deitarmos por terra” alguns destes mitos, na medida em que muitas vezes este poderá ser o caminho para uma sexualidade saudável. Não se esqueça que o conhecimento é importante para a vivência de uma sexualidade saudável e satisfatória.

1. As mulheres atingem o orgasmo apenas com a penetração.

FALSO: A sexualidade feminina é complexa. Por exemplo, existem mulheres que conseguem alcançar o orgasmo através da penetração, outras recorrendo ao uso de fantasias sexuais, mas diversos estudos demonstraram que a maioria das mulheres necessita da estimulação adicional do clítoris para alcançar o orgasmo, seja durante a penetração ou noutras atividades sexuais (e.g. sexo oral, sexo anal, masturbação). De facto, num estudo realizado por mim e colaboradores (Refoios, Fuertes & Lourenço, 2009) com 908 mulheres portuguesas, 64.8% referiu que, para elas, a estimulação direta do clítoris era importante para alcançarem o orgasmo, enquanto noutra investigação (Refoios, Esteves & Lourenço, 2005) com 326 mulheres, 88% afirmou necessitar da estimulação do clítoris para atingirem o orgasmo.   

2. Usar 2 preservativos é mais seguro do que usar somente um.

FALSO: A utilização de dois preservativos ao mesmo tempo é perigosa, na medida em que poderá criar fricção entre eles, aumentando a probabilidade de rebentarem e, consequentemente, aumenta a probabilidade de uma gravidez indesejada ou de contrair uma Infeção Sexualmente Transmissível.

3. A mulher não engravida se tiver relações sexuais de pé.

FALSO: Mito frequente. A mulher pode engravidar independentemente da posição sexual que adotar. Para tal, basta o sémen entrar em contacto com a área vaginal e a mulher encontrar-se no período fértil.

4. É frequente os adolescentes iniciarem a sua vida sexual por medo de serem abandonados pelo/a parceiro/a.

VERDADE: Estudos apontam que é frequente os adolescentes referirem ter tido relações sexuais porque se não o fizessem o/a parceiro/a acabaria com a relação, ou porque os outros iriam pensar que não era suficientemente homem/mulher. Todas estas ideias impedem os adolescentes de viver e valorizar a sua sexualidade de forma integral, fazendo com que respondam ao medo que sentem e à pressão dos outros. A sexualidade deve ser vivida num espaço de conhecimento e partilha mútuas, onde a comunicação, sentimentos e expressões de afeto sejam uma constante, associado aos valores e decisões de cada um em como viver e experienciar a sua sexualidade.

5. As mulheres adoram homens com pénis grandes.

FALSO: Estudos apontam que as mulheres preferem pénis mais grossos em detrimento do comprimento, até porque, para além do clítoris, o primeiro terço da vagina é a parte mais sensível da mulher.

6. O coito é perigoso para o feto.

FALSO: Desde que não exista restrição médica, a relação sexual durante a gravidez é completamente segura.

7. Ter relações sexuais durante a menstruação não é saudável.

FALSO: O sexo durante a menstruação pode ser igualmente prazeroso para a mulher. De facto, o fluxo menstrual não diminui nem retira a sensibilidade dos parceiros sexuais.

8. Se um homem perde a ereção é porque não acha a/o parceira/o atraente – já não sente desejo por ela/ele.

FALSO: O homem pode perder a ereção por variadíssimas razões (uns comuns na adolescência, outros na vida adulta e outros na terceira idade) que em nada tem a ver com sentir mais ou menos desejo pela/o parceiro/a (e.g. ansiedade de performance, cansaço, stress emocional, problema sexual).

9. Sexo é sinónimo de penetração pénis-vagina.

FALSO: O sexo é muito mais que a penetração pénis-vagina, envolvendo outras atividades sexuais, como a masturbação, sexo oral, sexo anal. Contudo, para um número significativo de indivíduos, o sexo aparece associado, unicamente, à penetração pénis-vagina e à penetração anal. Por exemplo, num estudo realizado em 2003 (Randall & Byers, 2003) com 164 estudantes universitários, sobre quais os exemplos de “ter sexo”, aproximadamente 98% dos participantes considerou a penetração pénis-vagina, 83% a penetração anal, 21%-23% referiu o sexo oral e somente 4% considerou a masturbação como um exemplo de “ter sexo”. Em outra investigação, com 477 estudantes universitários, aproximadamente 98% referiu que a penetração pénis-vagina era sinónimo de “sexo”, enquanto 78% relatou como sinónimo de “sexo” a penetração anal, sendo que 19% e 8% dos participantes fizeram referência ao sexo oral e à masturbação, respetivamente, como comportamentos sinónimos de “sexo”.  

10. A gravidez não deve ser usada para melhorar a relação de casal.

VERDADEIRO: Não é através de uma gravidez que o relacionamento vai melhorar ou que se possa conseguir as mudanças desejadas no outro. Por vezes, a gravidez, longe de unir o casal, poderá transformar-se numa situação de angústia e dor que provoque o efeito que se deseja evitar, pudendo envolver, injustamente, um terceiro elemento – o bebé, que poderá nascer num ambiente de sofrimento e stress.

11. Os casais devem conseguir alcançar o orgasmo simultâneo.

FALSO: Os orgasmos simultâneos são raros, mas muitos casais têm sofrido devido a este mito. De facto, os media sugerem que para se ser um “bom amante” é necessário que os indivíduos satisfaçam o(a) parceiro(a), e que experienciem o orgasmo em cada encontro sexual, fazendo ênfase aos múltiplos orgasmos e ao orgasmo simultâneo. Consequentemente, como forma de não desapontarem ou magoarem o seu parceiro(a), nem colocarem em causa a competência sexual do mesmo, os indivíduos poderão ter maior tendência para sabotarem a comunicação (Darling & Davidson, 1986).


Dra. Sofia Refoios

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Com os últimos dias de calor a abandonarem-nos, correndo no nosso calendário, é época de tapar o corpo, mas de não o abandonar, mimando-o agora mais do que nunca. É hora de recolher a casa em tardes mais frias e dividir um duche quentinho a dois, entregando-se ao prazer com uma massagem relaxante que prometerá avivar o nosso desejo e acalmar as preocupações mais obstinadas.

Assim, este mês, sugiro uma aquisição maravilhosa, velas que perfumam e cujo óleo quentinho pode ser o início de uma noite inesquecível. Ainda não conhece? Pois bem continue… Com cada vez mais fãs, as velas de massagem conquistam o seu espaço nas lojas de produtos sensuais, fazendo toda a diferença na hora dos nossos parceiros nos destinarem o seu toque. Longe dos momentos em que os óleos de massagem eram frios e gordurosos, as novas velas de massagem devem ser uma aquisição obrigatória para a nova estação.

E se ainda não está convencida, deixo aqui algumas sugestões de como as pode utilizar com o seu parceiro:

  1. Deitada de barriga para baixo, peça ao seu companheiro que coloque nas suas mãos o óleo morno e que lentamente a massaje, nos ombros, pescoço, braços, costas, descendo até ao fim das costas. Devem ser feitos movimentos circulares suaves com os polegares.
  2. As mãos devem descer mas evitando qualquer contacto mais íntimo.
  3. Concentre-se em cada movimento, esvazie o pensamento de preocupações e fantasie…
  4. Quando decidir, peça-lhe que os seus dedos a toquem e sinta o seu desejo aumentar…
  5. Vire-se e olhem-se profundamente, sem pressa, a vela arde e o cheiro invadiu o quarto, é a vossa fragrância e refúgio de prazer…

Entregue-se…há coisas fantásticas não há?

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Erradamente ainda se associa, com frequência, o uso do vibrador ao objeto consolador dos desejos insaciáveis das mulheres sempre insatisfeitas. Encarado por muitos como um inimigo, julgado pelo seu tamanho e incansável atividade, o vibrador é cada vez mais comum nas nossas vidas, é cada vez mais um objeto de uso partilhado que precisa, necessariamente, de ser visto como um brinquedo sensual e não como um objeto de simples consolo.

O vibrador não tem o objetivo de substituir o companheiro, tem como finalidade ser um aliado e proporcionar-nos mais prazer!

São imensos os modelos no mercado, que vão desde o mítico utilizado por Samantha de O Sexo e a Cidade, aos mais modernos com memória e design que não se deixam descobrir pelo filhote mais curioso.

Os vibradores permitem uma maior estimulação genital e devem ser escolhidos de acordo com a preferência de cada uma de nós. O principal critério para a sua seleção é sabermos qual é a nossa zona de estimulação favorita: a zona externa preferencialmente a clitoriana ou o interior da vagina?

Analisado este ponto importante é o momento de fazer a escolha: de entre os brinquedos penetrativos, os que servem para estimular externamente a vagina, ou os que podem fazer as duas coisas... a escolha é muito vasta. E no mundo destes brinquedos, o melhor é deixarmo-nos levar pela imaginação e dedicarmo-nos a encontrar o que mais se adequa a nós…

Vai uma “vibradela”?

Vânia Beliz

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Este vibrador rosa da liga dos “Rabbits” não é o mais espetacular do mundo, mas em termos de preço-qualidade é uma boa compra: é divertido e as vibrações são excelentes. Este sex toy dispõe de vários tipos de intensidades de vibração: mais forte, descontinuada ou mais fraca. A ponta do vibrador é rotativa, se o desejar, fazendo as esferas internas rodarem para a direita, ou para a esquerda, conforme pretender. No geral, anatomicamente o Best Buy Butterfly Rabbit não foi muito bem conseguido pois a rotação das esferas internas deveria estimular o ponto G enquanto a borboleta estimula o clítoris, não sendo este objetivo conseguido.

A borboleta é o melhor de tudo deste vibrador, se pretender pode usá-la apenas para estimular o clitóris, sendo um orgasmo atingido bem rapidamente. Anatomicamente, a parte da borboleta está bem conseguida, pois as antenas e a cabeça da borboleta encaixam na zona do clitóris muito bem, porém o conjunto deixa a desejar.

Prós: Vibrações bem intensas, muito boas para atingir um orgasmo rapidamente. Fácil limpeza.

Contras: A proporção não é a melhor pois não permite estimular o ponto G ao mesmo tempo que se estimula o clitóris. Vibrações pouco silenciosas.

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Se há 10 anos atrás nos dissessem que íamos começar a tomar as rédeas da nossa sexualidade, certamente não acreditaríamos... Mas as mulheres arregaçaram as mangas e têm lutado, cada vez de forma mais firme, pelo direito ao seu prazer.

Há 10 anos atrás seria impensável uma mulher assumir comportamentos como a masturbação ou a preferência por outras práticas sexuais ou, até mesmo, admitir a simples aquisição de um brinquedo erótico. Hoje, as mulheres já procuram ajuda, já tentam esclarecer as suas dúvidas e já colocam a possibilidade de marcar uma consulta para falar da sua intimidade ou dos seus problemas.

No entanto, apesar da mudança ser muito grande, ainda existem muitas mulheres silenciadas pela vergonha e pelo preconceito deixado do passado... Muitas mulheres descobrem, de forma tímida, que temos o poder extraordinário de seduzir, de desejar e de amar de forma intensa.

A sexualidade feminina libertou-se, mas ainda existe um longo caminho a percorrer.

Espera-se que este espaço seja um sítio de discussão e debate livre! Espera-se que seja uma ponte para se alcançarem respostas e soluções! Espera-se que seja um sitio de partilha para, entre mulheres, abordarmos as variadíssimas questões que tanto nos preocupam… Ousem perguntar, sugerir ou criticar… Todas queremos que este espaço cresça de acordo com as vossas opiniões!

Vânia Beliz

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